| 36 | Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. |
| 37 | E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; |
| 38 | e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento. |
Apesar de ser um texto bastante conhecido, alguns pontos têm me chamado a atenção nesses últimos dias, os quais pretendo compartilhar com vocês.
A alguns versículos atrás, no mesmo capítulo, temos o relato da cura do servo do centurião, onde o mesmo manda dizer a Jesus que não se considera digno de receber Jesus em sua casa (Lc 7,6), agora vemos aqui um fariseu que convida Jesus para um jantar, se considerando então digno de receber o Mestre em seus aposentos.
A Bíblia de Estudo de Genebra traz o seguinte comentário em sua nota de rodapé:
“Num jantar como este, a casa estava aberta e as pessoas podiam vir e observar. Uma mulher, pecadora (talvez uma prostituta) não teria sido bem vinda, ela precisou de coragem para vir.”
A Bíblia não traz muitos detalhes a respeito dessa mulher, se era realmente uma prostituta, apenas diz que era uma pecadora. Ora, se referir a alguém, homem ou mulher como pecador, pode ser considerado até um pleonasmo, visto que o único ser humano que pisou nessa terra que não merece esse título é apenas o próprio Jesus. O fato era que o fariseu se considerava bom o suficiente para receber o Mestre em sua casa, num jantar e ainda mostrar isso as pessoas que passavam por perto.
Então de repente aparece essa mulher, que sem dizer palavra alguma, apenas com lágrimas lavou os pés do Senhor e os enxugou com os próprios cabelos, além de derramar sobre seus pés um perfume caro. Suas lágrimas demonstraram profundo arrependimento e profundo amor pelo Mestre, ela não chegou querendo justificar seus pecados, querendo se explicar, apenas se humilhou diante de Jesus, adorando-O. Nem Jesus exigiu dela que fizesse uma lista de todos os seus pecados um a um, não foi preciso palavra alguma, suas atitudes e seu coração já demonstraram seu arrependimento. Ele apenas perdoou os pecados dela a despediu em paz.
| 39 | Ao ver isto, o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora. |
Vemos aqui profunda hipocrisia e discriminação por parte do fariseu, que esperava que Jesus repreendesse a mulher e a expulsasse visto que era uma pecadora, rejeitada e condenada pela sociedade. Mas Jesus, conhecendo os pensamentos do mesmo, lhe responde citando uma pequena parábola:
| 41 | Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinqüenta. |
| 42 | Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais? |
| 43 | Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. |
Em Romanos 5,20 lemos que onde abundou o pecado, superabundou a graça de Deus, versículo que se encaixa perfeitamente no que estamos estudando nesse artigo. Realmente essa mulher era pecadora, e em momento algum negou isso, mas se arrependeu e chorou amargamente se lançando aos pés de Jesus, que por sua vez perdoou a todos os seus pecados, por causa da sua fé (v 50).
| 44 | E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. |
| 45 | Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. |
| 46 | Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés. |
Através desses versos vemos que a intenção do fariseu em levar Jesus a sua casa era simplesmente de mostrar as pessoas que recebia alguém importante em sua casa, visto que a casa ficava aberta durante o jantar. Não se importou verdadeiramente
O ósculo (beijo) também era um cumprimento muito comum entre os judeus. Mas Simão, o fariseu, não realizou as mínimas honrarias a um visitante tão importante como Jesus, por outro lado, a mulher fez muito mais do que o necessário.
Se não tivermos forças, pedimos ao seu Santo Espírito, pois é a bondade do Senhor que nos conduz ao arrependimento (Romanos 2,4).