segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O Batismo no Espírito Santo

O Batismo no Espírito Santo

I Cor. 12,13 Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito (grifos meus).

A maioria das igrejas de nossos dias tem considerado e dado forte ênfase ao dom de línguas como sinal do Batismo no Espírito Santo, onde muitas vezes aquele que “fala em línguas” é tido como mais espiritual do que os que não falam, e muitos cristãos muitas vezes acabam ficando frustrados por não conseguirem atingir esse “estágio mais elevado” de espiritualidade. Eu mesmo já presenciei nos anos que pertenci a uma denominação pentecostal, pessoas tristes por não falarem línguas estranhas, até porque havia uma grande pressão por partes dos líderes para que todos falassem em línguas.
Bom, analisando a Palavra de Deus com um pouco mais de atenção, veremos que isso é um grande equívoco, pois conforme lemos no versículo acima, todo o que pertence ao corpo de Cristo, isto é, sua Igreja, é batizado no Espírito Santo, e isso não tem nada haver com balbuciar palavras ininteligíveis.
Dizer que um cristão não é batizado no Espírito Santo, é o mesmo que dizer que ele não nasceu de novo e não faz parte da família de Deus.
Sem o Espírito de Deus não há cristianismo, não há novo nascimento, é Ele que opera em nós o querer e o realizar, que nos transforma de filhos das trevas em filhos de Deus. O Espírito é derramado sobre nós para nos regenerar, como veremos a seguir:
Tito 3, 4 – 6 Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens, 5 não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo, 6 que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador. (Grifos meus).
Através desses textos podemos compreender que o início da vida cristã se dá através do Batismo no Espírito Santo, que nos regenera e nos torna parte do corpo do
Senhor Jesus na terra, sendo o batismo nas águas então um sinal exterior de uma graça interior, que é o batismo no, ou com o Espírito Santo.
Talvez muitos tenham se perguntado no decorrer desse estudo: “e a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes?”, e o “dom de falar línguas estranhas, onde entra nessa história?”. Para entendermos isso, precisamos compreender o que realmente aconteceu no dia de Pentecostes, vejamos:
Conforme lemos em Levítico 23, 16, o Pentecostes (que significa literalmente, qüinquagésimo dia) era uma festa judaica, que era realizada 50 dias após o sábado da semana da Páscoa, como agradecimentos as colheitas. Esta festa ocorria anualmente no templo em Jerusalém, onde judeus de varias nações iam a Jerusalém comemorar, por essa razão haviam pessoas de varias nações que ouviram os discípulos falarem das maravilhas de Deus na sua própria língua, conforme lemos no texto:
Atos 2, 1-11 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2 De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. 3 E lhes apareceram umas línguas como que de fogo, que se distribuíam, e sobre cada um deles pousou uma. 4 E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. 5 Habitavam então em Jerusalém judeus, homens piedosos, de todas as nações que há debaixo do céu. 6 Ouvindo-se, pois, aquele ruído, ajuntou-se a multidão; e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7 E todos pasmavam e se admiravam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses que estão falando? 8 Como é, pois, que os ouvimos falar cada um na própria língua em que nascemos? 9 Nós, partos, medos, e elamitas; e os que habitamos a Mesopotâmia, a Judéia e a Capadócia, o Ponto e a Ásia, 10 a Frígia e a Panfília, o Egito e as partes da Líbia próximas a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, 11 cretenses e árabes - ouvímo-los em nossas línguas, falar das grandezas de Deus.
Como está bem claro nesses versículos, as línguas faladas pelos discípulos no dia de Pentecostes não eram línguas estranhas nem fala extática, e sim línguas conhecidas de muitos povos: árabes, gregos, egípcios, romanos, etc, mas desconhecida para os que falavam, ou seja, através do Espírito Santo, os discípulos falaram em outros idiomas sem nunca os terem aprendido. Não tem absolutamente nada haver com o que ocorre nas igrejas pentecostais e carismáticas, ou por acaso você já viu alguém em alguma igreja falar em japonês, árabe, russo, etc (sem ter aprendido anteriormente a referida língua), e algum estrangeiro de um desses países entenderem em sua própria língua o que está sendo falado?
Sempre que houve a manifestação do Espírito através da concessão de outras línguas, houve um propósito específico de Deus, como tudo que Ele faz tem seu determinado propósito. Deus estava ali mostrando que agora todas as nações estavam incluídas na nova aliança, não sendo mais o pacto exclusivo ao povo judeu. Pedro afirma no versículo 16, que ocorreu ali o cumprimento de Joel 2, 28-32. Ora, se já se cumpriu, não precisa se cumprir novamente.
Analisaremos então mais alguns textos:
Atos 10, 44 - 47 Enquanto Pedro ainda dizia estas coisas, desceu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. 45 Os crentes que eram de circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que também sobre os gentios se derramasse o dom do Espírito Santo; 46 porque os ouviam falar línguas e magnificar a Deus. 47 Respondeu então Pedro: Pode alguém porventura recusar a água para que não sejam batizados estes que também, como nós, receberam o Espírito Santo? (grifos meus).
Primeiramente observe que Pedro afirma no versículo 47, que os gentios receberam o Espírito Santo como eles haviam recebido isso nos leva a crer que as línguas manifestas aqui também eram idiomas humanos, mas desconhecidos pra eles. Mas o propósito principal desse derramar do Espírito, era para mostrar aos Apóstolos que os gentios estavam também incluídos na nova aliança, isso porque havia uma grande dificuldade e até mesmo preconceito em os judeus convertidos aceitarem pessoas de outras nações na igreja, então Deus derrama do seu Espírito como sinal para os apóstolos.

Atos 19, 1 – 6 Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, 2 perguntou-lhes: Recebestes, porventura o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. 3 Então, Paulo perguntou: Em que pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. 4 Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber em Jesus. 5 Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. 6 E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam.
Nesse caso Paulo encontra alguns discípulos de João Batista, que ainda nem sabiam a respeito do Espírito Santo, pois só haviam recebido o batismo de João que ainda era o batismo da velha aliança, por isso Paulo os batiza novamente, dessa vez com o batismo em nome de Jesus, e lhes impõe as mãos para que recebam o Espírito Santo, que foi derramado aqui através de outras línguas e profecias. Apesar de esse texto não dar detalhes sobre as línguas faladas por eles, devido aos textos dos capítulos 2 e 10 de Atos, podemos subentender que também seriam línguas humanas desconhecidas pra eles.
Podemos concluir então que todo o cristão faz parte do Corpo de Cristo, e isso só é possível mediante o Batismo no Espírito Santo, independentemente do dom que venham a exercer. Todo cristão verdadeiramente regenerado é batizado no Espírito Santo, o que é evidenciado através de uma vida piedosa, comprometida com Deus e com seu Reino, e principalmente procura viver o amor de Cristo, vivendo em santidade e amando ao seu próximo, e não em um balbuciar de palavras sem sentido.

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